Os phármakons e a filosofia. Para que serve a filosofia?
Em diversas situações, deparo-me com a pergunta sobre a utilidade da filosofia e do filosofar propriamente dito. Recordo-me do relato de uma professora minha, quando o motorista do táxi perguntou o que ela ensinava. “Professora de filosofia” – disse ela. E a pergunta que veio em seguida foi: “E para que serve a filosofia?” E o primeiro pensamento dela foi: “Bem, a filosofia não serve para nada; mas eu não posso responder isso a ele, pois a situação ficaria estranha e ele não entenderia nada mesmo”. A solução foi começar a explicar que a filosofia ensina a pensar sobre os âmbitos da vida humana. E ela começou dizendo da política, no sentido de indicar que a filosofia pode nos ensinar a enxergar o que é verdadeiramente a política, questionando o tema do poder, a organização social etc. Depois disso, falou sobre a ciência, tentando mostrar que, muitas vezes, as pessoas acabam confiando simplesmente no que a ciência diz e faz; a filosofia pode auxiliar para entender como funciona o pensamento científico e o que existe – se é que existe – que sirva como ponto de confiança na “verdade” da ciência. E o questionamento foi assim, driblado (na situação, pouco se podia fazer) – pena é que o motorista acabou pensando que realmente a filosofia tem alguma utilidade, no conceito usual do que é útil.














