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Iniciação científica e interdisciplinaridade.

Categorias: Iniciação Científica  |  Tags:

Para falarmos sobre temas acima é necessário que recordemos o significado de um e outro conforme segue. A iniciação científica é uma modalidade de pesquisa acadêmica desenvolvida por alunos de graduação nas universidades brasileiras em diversas áreas do conhecimento, lembrem-se do final desse conceito “em diversas áreas do conhecimento”.

Quanto à interdisciplinaridade devemos lembrar que o desenvolvimento tecnológico ocorrido no século XIX, quando o discurso positivista era progresso, todas as áreas, paralelamente, buscavam o seu desenvolvimento através da especialização e do estudo fragmentado das partes, rompendo com a idéia de totalidade que pairava, na época, nas ciências.

Assim: “A conceituação de interdisciplinaridade é, sem dúvida, uma tarefa inacabada: até hoje não conseguimos definir com precisão o que vem a ser essa vinculação, essa reciprocidade, essa interação, essa comunidade de sentido ou essa complementaridade entre as várias disciplinas (SEVERINO,1989,p.11).”

Os modelos interdisciplinares utilizados, ou experimentados, direcionam os conceitos, como já citado acima, para a educação e, principalmente, para o ensino universitário, com ênfase à pesquisa. Esse fato verifica-se nas citações de JAPIASSU (1976,p.79-81) ao dispor em ordem ascendente de maturidade quanto às relações interdisciplinares segundo Heckhausen:

a)    Interdisciplinaridade heterogênea. direcionada aos enfoques de caráter enciclopédico, combinando programas diferentemente dosados,  buscando (…) a formação profissional de pessoal capaz de resolver certos problemas, fazendo apelo a um bom-senso esclarecido por algumas disciplinas científicas, tais como a Psicologia Social, a Psicanálise, a Economia do Trabalho, etc. (…).
b)    A  pseudo-interdisciplinaridade – grupo ao qual pertencem as tentativas de utilização de certos instrumentos conceituais e de análise, considerada epistemologicamente neutra, tais como os modelos matemáticos para fins de associação das disciplinas.
c)    A Interdisciplinaridade auxiliar – que consiste no fato de uma disciplina tomar de empréstimo a uma outra seu método ou seus procedimentos. É o caso da Pedagogia que necessita fundar suas decisões na Psicologia.
d)    Interdisciplinaridade compósita – é levada a efeito quando se trata de resolver os grandes e complexos problemas colocados pela sociedade atual: guerra, fome, delinqüência, poluição, etc.
e)    Interdisciplinaridade unificadora – procede de uma coerência bastante estreita dos domínios de estudo das disciplinas, havendo certa integração de seus níveis de integração teórica e dos métodos correspondentes. Por exemplo, certos elementos e perspectivas da Biologia ganharam o domínio da Física para formar a Biofísica.

Ante os fatos e a combinação dos dois conceitos objeto desse artigo, a pergunta que fica é: “por que poucos são os trbalhados de iniciação científica e, os que são relizados não contemplam os aspectos interdisciplinares?”

Para a primeira parte da pergunta temos algumas repostas simples: o aluno não tem interesse ou o aluno não é estimulado para a pesquisa ou o docente cobra a pesquisa fragmentada, ou seja, contemplando a sua área de conhecimento.

Entretanto a simplicidade mencionada leva a academia a limitar ainda mais os conhecimentos ministrados uma vez que, esses serão engessados e limitados ao conhecimento do docente.

Devemos lembrar-nos que vivemos em um mundo globalizado e o conhecimento deve acompanhar essa globalização. Dessa forma caberá ao docente estimular a iniciação científica interdisciplinar levando o academico a pesquisar os “encontros” que cada área do conhecimento tem com outras num constante processo de soma e transformação.

Um exemplo do que estamos relatando está em uma pesquisa sobre a qualidade de vida urbana. Se formos pesquisar apenas centrados no tema qualidade de vida iremos limitar o trabalho aquele assunto. Entretanto a gama de conhecimentos a serem inseridos na pesquisa levará o aluno a abrir os seus horizontes. Essa abertura se dará através da pesquisa do mesmo tema na geografia, na sociologia, na arquitetura e urbanismo, no serviço social e tantas outras áreas do conhecimento.

O que precisamos lembrar e ressaltar é que a iniciação científica e o resultado de um trabalho conjunto entre o docente e o discente onde um orienta o outro nos caminhos a serem trilhados.

Essa afirmação vai de encontro com a ansiedade apresentada por Ivani Fazenda, na obra Interdisciplinaridade – um projeto em parceria,  é tornar-se parceiro no tema e nas atitudes.

Parafraseando a autora (1995,p.13-14), pode-se igualmente afirmar que a temática deste trabalho é a interdisciplinaridade; sua problemática é a interdisciplinaridade como atitude possível diante do conhecimento.

Atitude de quê? Atitude de busca de alternativas para conhecer mais e melhor; atitude de espera perante atos não consumados; atitude de reciprocidade que impele à troca, ao diálogo com pares idênticos, com pares anônimos ou consigo mesmo; atitude de humildade diante da limitação do próprio saber; de perplexidade ante a possibilidade de desvendar novos saberes; atitude de desafio diante do novo, desafio de redimensionar o velho; atitude de envolvimento e comprometimento com os projetos e as pessoas neles implicadas; atitude, pois, de compromisso de construir sempre da melhor forma possível; atitude de responsabilidade, mas sobretudo de alegria, de revelação, de encontro, enfim, de vida.

Mãos a obra.

Prof. Alfredor Argus. Docente dos cursos de Administração, Serviço Social e CST em Gestão de Recursos Humanos do UniSEB Interativo

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